Se você já visitou uma feira ou supermercado, provavelmente notou que a maior parte dos kiwis disponíveis por aqui vem de fora do país.
Apesar de o Brasil ter condições para cultivar a fruta, ainda somos fortemente dependentes do kiwi importado, especialmente do Chile, Itália e Nova Zelândia.
Mas afinal, por que o kiwi importado domina os mercados brasileiros? Vamos explicar os principais motivos, os desafios da produção nacional e o que precisa mudar para o Brasil se tornar mais competitivo nesse segmento.

1. Produção brasileira ainda é pequena e regionalizada
De acordo com dados da Embrapa e do IBGE, o Brasil produz uma quantidade pequena de kiwi, concentrada em poucas propriedades e voltada, muitas vezes, para mercados locais.
Enquanto isso, só o Chile exporta mais de 150 mil toneladas por ano, abastecendo diversos países da América Latina, incluindo o Brasil.
A produção nacional é, portanto, insuficiente para atender a demanda interna, e os importados acabam ocupando a maior parte das prateleiras.
2. O kiwi exige clima e manejo específicos
Embora o Brasil seja um país com clima tropical e subtropical, o kiwi não se adapta bem a altas temperaturas constantes. A planta exige:
- Invernos frios com horas de frio acumuladas (acima de 350 horas abaixo de 7 °C)
- Boa amplitude térmica
- Poda e condução adequadas
Essas exigências limitam a produção nacional a algumas regiões específicas, em partes do Sul do Brasil.
Enquanto isso, países como Chile e Nova Zelândia já possuem infraestrutura e clima ideais em praticamente todo o território, além de décadas de experiência no cultivo comercial.
3. Custo de produção ainda é alto no Brasil
Produzir kiwi em solo brasileiro ainda não é barato. Os principais fatores que encarecem a produção são:
- Necessidade de irrigação controlada
- Custo elevado de mudas enxertadas
- Mão de obra qualificada escassa
- Infraestrutura agrícola limitada para pós-colheita e armazenagem
Já os produtores estrangeiros contam com mecanização avançada, escala produtiva e subsídios governamentais, o que torna o preço do kiwi importado mais competitivo, mesmo com taxas e transporte internacional.
4. O consumidor brasileiro está acostumado ao kiwi importado
Outro fator importante é o padrão de qualidade visual. O kiwi importado, por vir de regiões com produção padronizada e tecnologia pós-colheita, costuma apresentar:
- Frutos grandes e uniformes
- Casca sem manchas
- Doçura controlada
- Longa durabilidade nas gôndolas
Já o kiwi nacional, por ser produzido em menor escala e com menos recursos, muitas vezes não apresenta o mesmo apelo visual, mesmo que tenha sabor semelhante ou até superior.
Essa diferença de apresentação pode afetar a preferência do consumidor nas compras.
5. Poucos incentivos à fruticultura exótica no Brasil
Enquanto países produtores recebem apoio técnico e financiamento para fruticultura de exportação, no Brasil ainda falta incentivo à diversificação agrícola com frutas exóticas, como o kiwi.
Muitos agricultores preferem investir em culturas mais tradicionais e seguras, como soja, milho, café ou laranja. O resultado é que poucos se arriscam no cultivo comercial do kiwi, mesmo em regiões propícias.
O que pode mudar esse cenário?
Apesar dos desafios, o kiwi nacional tem espaço para crescer. Algumas iniciativas que podem mudar o panorama incluem:
- Ações de marketing e conscientização do consumidor sobre o kiwi brasileiro
- Apoio técnico e linhas de crédito específicas para pequenos produtores
- Parcerias entre universidades, viveiros e agricultores
- Desenvolvimento de variedades adaptadas ao clima brasileiro
- Valorização do kiwi artesanal e de origem local
O kiwi importado domina os mercados brasileiros por uma soma de fatores: condições ideais nos países de origem, infraestrutura eficiente, produção em escala, padrão visual atrativo e logística bem estruturada.
Por outro lado, o kiwi nacional ainda enfrenta desafios agronômicos e comerciais, mas tem potencial para crescer, especialmente com o aumento do consumo consciente, valorização de produtos locais e investimento em inovação agrícola.
Se você é produtor rural ou empreendedor agrícola, talvez seja hora de olhar para o kiwi com outros olhos, e quem sabe, ajudar a mudar esse cenário.
